domingo, 11 de janeiro de 2009

Auschwitz - Oświęcim - Poland




Vou falar um pouco sobre Auschwitz, não estou muito empolgado com isso, pois não existe nada de engraçado ou bom ao falar sobre atrocidades que nós humanos cometemos.

Fui visitar o campo de concentração Auschwitz neste último sábado, fui junto de dois brasileiros, um mexicano e uma americana. Compramos nossas passagens na rodoviária e fomos pegar o bus, mas não era bus, era uma mini-van! E para surpresa já estava lotado, não importava que tínhamos passagem! Bem, conseguimos o dinheiro de volta e fomos na próxima mini-van. Após 1h e meia estávamos lá em Auschwitz. Aqui na Polônia eles chamam de Oświęcim, por isso coloquei no título do blog. Auschwitz é o nome dado pelos Alemães, decidimos pagar por um guia para fazer nosso "tour" pelo campo.

Primeiro fomos direcionados à uma sala de cinema, onde assistimos 30 minutos da história de Auschwitz e vimos cenas horríveis, não é nada fácil descrever tudo isso, mas vou fazer por uma questão de cultura e também acredito que isso sirva para todos nós alguma nova forma de encarar o mundo ou as pessoas que amamos.

Então, teve cenas de pessoas no chão morrendo de fome, de frio. Crianças que tiveram suas pernas congeladas por não terem calçados ( os Nazista recolheram todos os sapatos dos prisioneiros). Montes de seres humanos jogados em um buraco como se fossem lixo. Mulheres e crianças tendo que andar no meio de corpos jogados no chão e outras atrocidades que não tive coragem de guardar na memória.



Existem 3 campos em Auschwitz, o primeiro era o campo administrativo, onde possuía as melhores casas e ali também se encontra a parede da Morte. As pessoas eram mortas pelas costas em grupos e o crematório já ficava ao lado da câmara de gás.



O segundo campo era o maior de todos, conhecido como Bierknau. Lá existia 3 câmaras de gás, o portão da morte que era por onde o trem entrava no campo. Nesse campo tinha por volta de 300 barracas, hoje a grande maioria destruída. Nem todas eram de tijolos, pois quando acabou os tijolos foram construídas barracas de madeira.
Atenção para esse fato, numa dessas barracas a metade dela era perfeita, usada para tirar fotos de famílias de judeus felizes, como se tivessem ido para um lugar maravilhoso e que tinha todo o suporte e suprimento que precisavam. Somente para mostrar para o resto dos Alemães/Mundo que estava tudo bem.



Quando chegava um trem, com pessoas atrofiadas nos vagões por horas, sem água, comida, banheiro, nem espaço para sentar era feita uma seleção pelos Nazistas.
Eles pegavam os mais fortes para serem prisioneiros, ajudar no próprio trabalho de matar seus colegas. Caralho! Isso é demais para mim!
O pessoal que não era selecionado ia direto para a câmara de gás, mas eram informados que seriam desinfetados para poderem ficar no campo. Atenção! A seleção não ocorria sempre, tinha vezes que o trem ia direto pro fim da linha e eram todos mortos. Na foto abaixo vocês podem ver as pessoas no canto direito indo para a câmara de gás sem saber de nada.



O terceiro campo é o menor de todos, e eram somente um laboratório. Médicos faziam experiências com os pobres dos seres humanos. Os judeus eram 90% do todo e também tinha ciganos, onde os mesmos foram largados em algumas barracas e completamente esquecidos.

Dentro das barracas existia três níveis, dois de madeira acima do chão e o bem de baixo de concreto. Os fortes ficavam em cima, pois era mais quente devido ao calor humano vindo debaixo. Os doentes e mais fracos ficavam no chão, onde era muito frio e escorria sangue de outros e etc.



Imagine você com uma peça de roupa como se fosse um pijama fino, sem sapatos e doente tendo que dormir nessa situação. Pois é, teve gente que não passava de 1 dia e os mais fortes duravam cerca de 3 meses, não mais que isso.
Eu mesmo quase congelei andando pelo campo na neve. Uma hora tentei falar com meus amigos e não consegui articular bem a minha boca de tão frio!

Todo mundo teve seus cabelos raspados, seus dentes de ouro arrancados, seus óculos tirados e etc.. Tudo isso aconteceu entre 1940 e 1945. Você pode ver todos seus pertences no museu, quem quiser veja no http://picasaweb.google.com/celomaw .
Não é permitido tirar fotos lá, mas o motivo é para não atrapalhar outros grupos que estão visitando o lugar, como tinha pouca gente, nossa guia disse que poderíamos tirar fotos. Mas confesso que chegou um momento que eu parei de tirar fotos, pois não aguentava mais tanto sofrimento e terror.

Ainda existe um memorial entre os crematórios no final da linha do trem, muita gente fica com raiva dos Alemães, mas não acho o correto pelo simples fato que foram os Nazistas que cometeram tal atrocidade e os Alemães não sabiam de nada, tanto que após a liberação do campo pelos soviéticos foram trazidos vários Alemães para mostrar o que seus líderes estavam fazendo às escondidas.



Não vou escrever mais, espero que esse recado sirva para refletir um pouco sobre os seres humanos, nossos pequenos atos no dia a dia e o quanto somos felizes pelas pessoas que possuímos ao nosso arredor. Não importa se você é uma pessoa pessimista ou só sabe brigar e reclamar de tudo, você ao menos teve a liberdade de escolha de ser assim! E ainda tem a liberdade de mudar! Olha que magnífico isso! Então pense! Pense que 1 milhão e 500 mil pessoas não tiveram a mesma liberdade que você em Auschwitz, infelizmente!




Marcelo A. Weschenfelder

domingo, 4 de janeiro de 2009

Natal em Deutschland!




Estou de volta!!! Depois de um belo período de folga, pouco trabalho e muita neve! Então vamos falar de Natal, acabei viajando para a Alemanha dia 23 bem cedo, destino: Frankfurt Main! ( Sim, o mesmo que passei para chegar até aqui!). Após 1 hora e meia voando eu já estava lá procurando minha mala naquele aeroporto gigante e me preparando para encontrar minha querida prima Angela que mora em Eschborn (do lado de Frankfurt) e que é casada com o alemão Thomas e mãe do Matthias. Fazia anos que não me encontrava com eles, acho que cerca de 12 anos.



Já aproveitamos o primeiro dia para conhecer o centro de Frankfurt, um fato muito interessante aqui é que antes de você chegar nos estacionamentos, você pode tranquilamente checar umas das placas nas ruas dizendo quantas vagas disponíveis tem cada um. Sim, você deve estar dizendo agora – “Ahh coisa de primeiro mundo!!” : ).
Entramos numa loja de esquina bem pequena, acho que devia ter só uns 7 andares com um elevador que o desafio era descobrir para qual lado ele iria abrir uma de suas generosas portas! Bem, no último andar tem um restaurante com uma vista pra lá de interessante da cidade!





Depois fomos até a prefeitura onde se encontrava uma enorme árvore de Natal trazida da Áustria, eles me contaram que fizeram até um programa de TV contando sobre todo o trajeto da árvore, que os homens tiveram que cortar mais o tronco para colocar ela de pé e que quando estavam serrando a mesma com uma motosserra elétrica, ela estragou ao pegar um resto de bala dentro do tronco! Sim, que raios alguém deu um tiro ali na pobre coitada da árvore de Natal!!! Depois disso firmaram ela e encheram de luzes para a felicidade de todos! : )
Também ali se encontra a sacada dos vice-campeões de acordo com a Angela, devido à derrota da Alemanha para o Brasil na copa do mundo de 2002.



Uma outra tradição que pude reparar aqui na Europa é que as pessoas somente montam sua árvore de Natal no dia 24 de dezembro. Então, acabamos montando a árvore que a Angela escolheu, muito bonita por sinal, no dia 23 porque o Matthias tava com muita disposição para ajudar ou seria para receber logo os presentes!?! : )



Para a noite de Natal foi preparado um Ganso! Primeira vez que comi e achei muito bom por sinal. Ah e adivinhem! Em Frankfurt tem uma lojinha brasileira que vende vários produtos, me assustei quando vi latas de fanta laranja e fanta uva, não é porque aqui não existe, mas sim porque achei enormes as latas e foi aí que me dei conta novamente de que as latas de refrigerante aqui são menores que no Brasil.
Acabamos tomando um guaraná antártica na ceia! Deu pra matar a saudades, e ainda durante minha estadia tive oportunidades de comer empadinha, coxinha de frango, bolinho de bacalhau, tomar uma cerveja com cachaça e limão e de tomar “Aquele Mate Tchê!” : ). Ainda teve um champanhe original, da França! É fiquem com inveja! Passando natal na Alemanha com frio e mordomias como essas! A propósito, foi o meu primeiro Natal longe da família e do Brasil.

Depois fomos a cerimônia de entrega dos presentes, teve muitos presentes e não vou descrevê-los aqui, mas ficamos mais de 1h se divertindo só nisso! Só vou comentar que depois de 12 anos consegui lembrar da época que eles moraram no Brasil, que o Thomas colecionava garrafinhas de bebidas. Então dei de presente para ele várias mini-vodkas da Polônia! Ele tem mais de 400 garrafinhas numa estante toda de vidro, acho que o próximo presente tem que ser uma estante nova, pois está acabando o espaço nessa aí!
Ah adorei meus presentes Angela! ( Eu sei que ela vai ler isso aqui, então nada mais justo que agradecer novamente por tudo, porque não posso me queixar, foi maravilhoso!).





Ainda passeamos mais por cidades arredores, passeamos numa montanha linda e caminhamos por Eschborn que achei uma cidade muito linda e aconchegante com cerca de 20 mil habitantes, mas onde se tem tudo. Outra coisa aqui são as rodovias, é no mínimo 3 estradas pra cada lado e pra tudo que é lado! E não importa onde você está, sempre tem uns 10 caminhos diferente para se chegar ao destino.




Provei várias comidas típicas da Alemanha e adorei todas, melhores que essas da Polônia, hehehe. Não vou tentar escrever aqui os nomes, pois são complicados. Mas eu gostei do Alemão até porque se parece um pouco com inglês, já o Polonês amigo....é uma sopa de letrinhas a onde se esqueceram de botar as vogais!



No sábado a noite antes de voltar para a Polônia no domingo, nós fomos jantar com uma família alemã num restaurante muito bom. Antes passamos na casa deles, e lá se foi mais uma champanhe e provei um whisky de 1972, deu uma tunda de laço no Johnny Blue Label que tem 21 anos de idade só o guri. Foi bem divertido durante toda a janta, muita bebida também, hehe, provei dessa vez uma cerveja de trigo fermentada preta, a branca já tinha provado na casa da minha prima e não preciso dizer que tava boa né!




Bem pessoal, o post ta ficando grande e já são quase 3h da manhã aqui.

Este post fica então dedicado para minha prima Angela, o Thomas e o Matthias que me receberam tão bem em Deutschland! É muito bom saber que tem alguém assim por perto!!!

Abraços gelados....
Marcelo A. Weschenfelder